Especialistas explicam algumas TEORIAS que garantem que o mundo vai acabar em 2012. Cientistas, religiosos e místicos perseguem pistas deixadas por civilizações e profetas
O fim está próximo ou não? Com 2012 chegando, cientistas, religiosos e místicos do mundo inteiro correm atrás de pistas deixadas por civilizações e profetas explicando como o mundo se acabará. As divergências são incontáveis. Baseados em teorias que passeiam por calendários de antigos povos mesoamericanos até uma súbita alternância dos pólos terrestres, o que não faltam são possibilidades – aliadas à imaginação – para a extinção dos moradores da Terra. Tanta criatividade tem dado trabalho a pesquisadores, que passaram os últimos anos desmistificando a maioria das teses.
Tomando como base a mistura de diversas teorias, Saulo Martins diz que os recentes fenômenos naturais só reforçam a teoria de que a Terra se extinguirá em pouco tempo. Ele acredita que a humanidade está num processo de limpeza.
“O planeta está mudando, com os países do dito Primeiro Mundo passando por crises antes vividas por nós, do Terceiro. Todo o processo de furacões, tsunamis, enchentes, radicalismos extremados que geram atentados violentos, com mortes, são resultados do canibalismo materialista da humanidade, que ainda não sabe o que quer”, acredita.
Para ele, a única maneira de se preparar para este momento é a espiritualização.
“É preciso se desapegar da ilusão do consumismo a fim de ter uma vida mais plena, fora da mera realidade material. A busca pelo equilíbrio, em exercício constante, seria a única maneira de sair ileso deste momento catastrófico. Caso seja uma viagem de quem previu o fim literal do planeta. Ainda assim vale dizer que este momento sugere uma transformação individual. Como se ao destruir um mundo e construir outro dentro de nós fosse possível reverter a realidade coletiva para a verdadeira mudança”, espera.
Delmo Oliveira é bem mais cético e crê que o fim do mundo já está sendo vivido.
“O que mais falta para declararmos nossa sociedade falida? Nunca tivemos tantas crises como agora. Econômicas, mundo superpopulado, medo do fim do petróleo, fome, miséria e conflitos em diversos locais do mundo”, defende.
Quando perguntado sobre as possibilidades de mudanças positivas, previstas pelos ancestrais, ele é pessimista.
“Belo na teoria, mas muito difícil de acreditar. Basta usarmos um pouco de nossa razão e analisarmos o momento em que vivemos. Caminhamos a passos largos para uma civilização cada vez mais doente”, comenta.
Delmo também leva em consideração que em muitos outros momentos foram decretados finais como este para a humanidade e que só serviram para alarmar a sociedade e nada aconteceu.
“Infelizmente nossas crenças, não importam o quão sinceras sejam, não moldam a realidade. Portanto não basta apenas crer que o mundo vai acabar que está tudo bem. Na prática, continuaremos traçando nossos planos e vivendo. Para mim esta história não passa de mais um empreendimento comercial e um pouco de fantasia”, conclui.
Filme registra o fim - O filme “2012”, lançado em 2009, dirigido por Roland Emmerich criou certo frisson em sua campanha de divulgação. No melhor estilo da obra radiofônica “A Guerra dos Mundos”, de Orson Welles, o estúdio lançou um site de marketing viral operado pelo fictício Institute for Human Continuity, garantindo aos cinéfilos um número de sorteio para ser parte de uma pequena população que seria resgatada da destruição global.
A página fictícia listava uma colisão com um planeta desconhecido, um alinhamento galáctico e um aumento da atividade solar entre os possíveis cenários apocalípticos. O jornal “The Independent”, de 17 de outubro do ano do lançamento do filme, publicou uma reportagem sobre este fato, que comoveu centenas de pessoas a enviarem e-mails para David Morrison, um astrônomo cientista da Nasa. Morrison disse temer o mal que a página pudesse causar, já que tinha tudo para fazer parecer realidade.
“Alguns adolescentes escreveram para mim considerando suicidarem-se, por não quererem ver o mundo acabar. Acredito que quando você mente na Internet e assusta crianças só para fazer dinheiro, está agindo de maneira antiética”, disse na ocasião ao veículo.
O tempo astrológico
Segundo o astrólogo João Marcos Cividanes, não há nada sobre o fim do mundo previsto para os céus do dia 21 de dezembro do ano que vem. O que há, na verdade, é uma previsão de mudanças no campo socioeconômico.
“Existe uma tendência ao rompimento do modelo adotado por nós atualmente. As pessoas desejam renovação e projetam uma vontade de morte de um mundo que desgostam, repleto de desigualdades e destruição”, explica.
As pessoas estariam em transformação, começando a se dar conta que não dependem da hegemonia, que podem se organizar. Esta mudança de panorama teria mais a ver com a maneira de ver o mundo dos Maias.
“O próprio homem está acabando com o planeta, que está insustentável. 2012 virá para trazer novas formas de experimentar a vida, através de rupturas que precisam ser feitas”, diz.
Segundo Cividanes, quatro eventos importantes no campo astrológico acontecerão este ano, levando a este ponto extremo. Netuno voltará a Peixes, Júpiter entrará em Gêmeos, Saturno entrará em Escorpião e Marte em Virgem. Disto, pode-se entender que farsas serão denunciadas e escândalos virão à tona, o que traria problemas até para a presidenta Dilma Rousseff.
“Ilusões serão quebradas para que todas as confusões sejam esclarecidas. Quanto a isso, não é preciso ter medo”.
O tempo geológico
O professor André Etienne, doutor em Geofísica da Universidade Federal Fluminense (UFF), contraria o mito da súbita inversão dos pólos terrestres. Esta teoria diz que o campo magnético – responsável por refletir as radiações solares, não permitindo que as nocivas atinjam a superfície terrestre – teria sua polaridade revertida inesperadamente, ameaçando a vida por aqui. Acontece que esta reversão é um processo natural, que ocorre com certa regularidade no tempo geológico, explica.
“Não há como precisar uma data para este fenômeno, por que pode levar de 100 a 700 mil anos para acontecer, mas é sabido que só percebemos sua ocorrência depois do processo cumprido”.
No entanto, tem-se observado um enfraquecimento do campo magnético terrestre, que se apaga durante o processo de reversão polar. Este fato poderia servir como um sinal. Apesar de submetidos às “más” radiações solares, isso não seria suficiente para acabar com a vida no planeta. “Cientificamente, é mais fácil haver a explosão de um supervulcão, ou do planeta ser atingido por um objeto astronômico colossal do que de passarmos por isso”, diz, levantando outra hipótese.
Segundo ele, há registros históricos de explosões deste nível. “O vulcão Yellowstone, localizado nos Estados Unidos, é uma caldeira de gases e fluídos que não param de se formar. Uma energia boçal que incha e pulsa, com fluxo intenso de calor e derretimento de rocha”, descreve. Caso explodisse, os EUA sumiriam do mapa, e toda população mundial morreria aos poucos, de fome e doente, devido a uma nuvem de dejetos vulcânicos formada por eles.
O tempo dos Maias
“Os Maias nunca previram o fim do mundo. Para eles, os ciclos terminados indicavam novos tempos e energias”, garante Leila Maria França, pós-doutora em Arqueologia do Museu de Arqueologia e Etnologia da Universidade de São Paulo (USP). O ponto de vista pessimista teria se originado a partir de esoterismos que refletem uma visão juidaico-cristã apocalíptica. “O que as pessoas têm feito é fundamentar conceitos com testemunhas que interpretavam o tempo de uma maneira completamente diferente”, explica.
Todos os povos da América Pré-Colombiana tinham vários sistemas de contagem de tempo. Para períodos com mais de 52 anos, os Maias utilizavam a Contagem Longa, de matriz aparentemente linear, com início em 4 Ahaw, 8 Kumk’u, ou, 11 de agosto de 3114 a. C., no calendário gregoriano. A confusão acontece por que algumas inscrições em monumentos das cidades de Quiriguá e Cobá assinalam que a conclusão deste calendário seria no ano 13 Baktun, correspondente ao dia 21 de dezembro de 2012 gregoriano.
Mas para Leila, isto não é motivo de preocupação. “Tanto os maias antigos, quanto os atuais, acreditam na renovação perpétua da humanidade”, defende. Segundo a professora, existem dois equívocos nesta correlação. Além de não existir menções sobre o fim do mundo nas escrituras, há discussões sobre o fim da Contagem Longa, já que as conversões de datas são calculadas matematicamente.
O tempo dos alienígenas
Segundo o presidente do Centro de Ufologia Brasileiro (CUB) Milton Dino Frank Junior, há 33 anos foram encontradas provas de que há vida extraterrestre.
“O contato com extraterrestres pode acontecer em 2012, como nunca pode acontecer. A verdade é que na maioria dos casos de pessoas que afirmam terem visto estes seres, nós detectamos que as testemunhas estavam enganadas, perturbadas ou mesmo delirando”, diz.
Pela Internet circulam muitas teorias sobre a nova era surgida após o contato com ETs, que aconteceria em 2012. Estes são os grupos mais otimistas com relação ao fim do mundo, prevendo, entre outras coisas, um resgate extraterrestre da população humana. De acordo com algumas profecias ufológicas, a Federação do Universo, representando todas as 88 constelações, virá oficialmente visitar a Terra, o que porá fim à ocultação de óvnis em todos os continentes.
“Torcemos muito pelo encontro com civilizações de outros planetas, mas queremos que aconteça de forma real, e não porque um ser humano faça inferências devido a sua simples ansiedade”, revela Dino Frank Junior.
Sobre o Sol no ano que vem, o presidente diz que poderá haver algumas tempestades e explosões.
“Estas tempestades podem gerar a paralisação de alguns sistemas de comunicação via satélite no planeta Terra, nada que se possa associar ao fim do mundo ou a uma catástrofe”.

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